Vida Amarga

E 2003 finalmente chega ao fim.

Olhando agora, o período compreendido entre 2001 e 2003 foi extremamente rico, daqueles que sempre vão ficar nas recordações.

Conhecemos de tudo nesse breve instante do tempo: alianças e desilusões (pessoais e profissionais), processos e rituais sonoros, celebrações coletivas e individuais. Viajamos até Arbórea — para quem não sabe, é uma das luas do planeta Mongo — e lá nos convertemos à fé do povo-árvore . Subimos ao nível 7 e lá permanecemos, muitas vezes mais do que o recomendável. Descobrimos literalmente dúzias de influências e tentamos em vão imprimir método ao nosso caos de ondas sonoras.

O fim de ano costuma ser época de dor de cabeça para a população paulistana, bovinamente imersa naquelas obrigações que acompanham o calendário: compra de presentes, comida em excesso, falsidade a rodo em festas familiares/corporativas, stress, trânsito, shoppings inviáveis.

Em Arbórea, alheios a isso tudo na medida do possível, aproveitávamos o tempo registrando som. Experimentando e tentando retornar ao Krakismo primevo, misturado às novas percepções eletrônicas e sintetizadas. E pensar que eu abominava qualquer resquício de eletrônica na música quando era guerreiro do metal. Como sabiamente afirma o maestro Cristaldo, a juventude é uma doença que o tempo se encarrega de curar.

Vida Amarga

Dessas sessões sai Vida Amarga, disco que já reflete no título o espírito daqueles dias. Não em um sentido propriamente negativista, mas de experiência mesmo. Experiência de quem tomou incontáveis pula-piratas e soube se manter de pé, sem ceder ao canto das sereias de gravata e crachá. A recompensa por manter convicções sonoras e pessoais viria em breve, e nos mostraria que, se experiências passam e deixam marcas, a experiença jamais çessa. Essa é talvez a lição mais valiosa que aprendemos.

Às faixas:

Macabeus: base Reason e viagens de teclados.

The song of the flying cetaceans: é o sub-estilo que batizamos de Microfonal Baleia, dado o tipo de som que é extraído dessa microfonia.

A segunda vinda: microfonal fantasmagórico. Nessa época nem fazíamos idéia, mas era o reverendo Belmiro Aguiar e seu serrote já nos influenciando.

Belkira: tentativa de free-jazz com piano, sax e bateria de teclado em uma primitiva tentativa de executar blast beats.

Vida Amarga: vinheta com esquisitices de teclado.

Conurbação: microfonal meio industrial. É o começo dos microfonais percussivos.

Possessão Controlada: uma bateria Reason garante o ritmo para viagens de teclado e Camós. Esse som tem uma continuação no álbum Corporation.

Electronic Sheng: teclados com efeitos diversos, lembrando o instrumento do título.

Aviário Nuclear: microfonal com pesadas doses de delay que alterna de forma incômoda entre os canais esquerdo e direito. Experimente ouvir com fones. O título é a impressão causada pelos sons mais agudos.

Baixe e ouça.

2004 vem chegando.

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3 Responses to Vida Amarga

  1. Dri Viaro says:

    Oi, passei pra conhecer seu blog, e desejar bom fds
    bjs

    aguardo sua visita :)

  2. Fabio M says:

    Eu escrevi um post sobre futebol cujo título ficou tão parecido com os títulos de músicas-álbuns do Super-Simetria que eu botei mais um link pro site da banda.

    Mais especificamente pro link do álbum Desmelancolia, cujo título foi evocado pela minha falação sobre futebol internacional.

    Merchan gratuito pra ti :-) sem peleguismo e sem puxação de saco.

    http://sinosdobram.wordpress.com/2009/10/03/despirito-desportivo/

  3. Ronaldo says:

    Legal ver que a estética supersimétrica de títulos está gerando frutos!

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