Rogerio Skylab no Centro Cultural São Paulo – Skylab X

O último suspiro. Último show da série Skylab em São Paulo. Dois suspiros, na verdade: sábado e domingo.

O único show que eu havia assistido até semana passada tinha sido o do lançamento do DVD, em 2009. Nessa ocasião o set list foi sido um pouco diferente do show de gravação do DVD, com várias músicas dos novos projetos (Orquestra Zé Felipe e Skygirls), e muita coisa que eu queria ouvir foi deixada de lado. Dessa vez, foi exatamente como eu esperava: repertório variado sem aquelas escolhas óbvias, músicas das quais o próprio Skylab já vem querendo se distanciar um pouco, mas que parte do público insiste em trazer de volta.

Falo dos 2 primeiros discos. Muita gente estacionou no Skylab II e não consegue sair dali (possível referência do novo vídeo, “Eu não consigo sair daqui“?). Geralmente é o pessoal que insiste em colar o infame rótulo trash na testa do músico. Insisto: o diagnóstico aqui é preguiça. A obra é muito mais vasta do que o II, diria que começa mesmo no III. Basta ouvir.

O set list passou por quase todos os discos. Várias das minhas favoritas, como Dedo, Língua, Cu e Boceta, Num Banco da Praça, Fátima Bernardes Experiência e Herbert Vianna. E dessa vez ele limou Matador de Passarinho, para alívio de boa parte dos fãs, incluíndo este que vos escreve.

Sábado

No sábado cheguei um pouco em cima da hora e acabei ficando na parte de cima, da mesma forma que no show de 2009. Boa visibilidade, mas faltava a proximidade do palco.

Antes de entrar, ainda pude ver a passagem de som: Skylab cantava Eu Roubei a Gravata? e 2 pessoas chamavam atenção: uma mulher com traje gótico-futurista fazia uma coreografia e repetia uma variação do refrão e um cara fazia efeitos eletrônicos meio espaciais em um Moog. Pelo jeito seriam os convidados da noite. A outra novidade era a baixista Elisa, do Skygirls.

Skylab e banda passando o som

Começa o show e o público pede Câncer no Cu aos berros. Em vão. Outros pedem Glóoooria Maria, esses foram atendidos. A abertura foi com Corpo e Membro Sem Cabeça e logo em seguida já emendaram o mantra Dedo, Língua, Cu e Boceta. Essa é uma das minhas favoritas e às vezes costumo ouvir em loop por tempo indeterminado. Outras vezes faço um pavê de 2 ou 3 camadas com essa faixa. Recomendo.

Segue o show. Duas faixas da Orquestra Zé Felipe: Boceta Dominante ou Dominada e Tem Cigarro Aí? Ambas funcionam muito bem ao vivo, especialmente a segunda: já faz parte da execução o público atirar cigarros no palco. Matadouro das Almas dessa vez não teve a faca: ele atacou a vítima com uma baqueta. Na comunidade do Orkut especulações sobre uma “nova diretoria” no CCSP que teria barrado a faca. Mas não chegou a ser um problema, já que a grande performance da noite se daria em O Corvo: a cenoura, já vista na entrevista ao Jô Soares.

Falando na cenoura, achei que a performance no Jô ficou até melhor do que no show, onde ele ficou chupando a cenoura naquela já característica simulação. No Jô, provavelmente para adequar ao padrão Globo, ele se limitou a morder e mastigar a cenoura, comendo com olhar fixo e ensandecido. Achei que ficou bem mais a cara da música.

Então, chega a hora da gravata e Skylab chama seus 2 convidados: a menina era Karina Alexandrino, artista cearense que ele ouviu, gostou e convidou para fazer a performance. O tecladista era Astronauta Pinguim, que tocou com Júpiter Maçã e tem trabalho próprio em uma linha que lembra bastante os microfonais do Supersimetria. Aproveitaram para gravar um vídeo durante a apresentação.

Pra encerrar, como já vinha acontecendo em outros shows, tocaram Eu e Minha Ex, do próprio Júpiter Maçã. Banda afiada como sempre e Elisa com ótima presença de palco.

Terminado o show, palco sujo de cenoura e fãs disputando a parte que não foi comida. Vou até o stand comprar o Skylab X e o livro e desço até o camarim para pegar autógrafo no livro. Me apresento e Rogério parabeniza a iniciativa do Portão do Daminhão e elogia o próprio Supersimetria. Registro o momento e a foto, claro, sai fora de foco, como aquela tirada no show conceitual do Supersimetria.

No camarim com Rogerio Skylab

Parece que é minha sina sair em fotos desfocadas, começo a ver isso como uma estética própria. Não tem o menor problema, o que vale é o registro e até que o efeito da foto ficou interessante. Para fotos de verdade do show, veja o Flickr de Edu Guimarães e Bel Gasparotto.

Rogério é extremamente simpático e acessível, contrastando com a imagem de maluco e esquisito que inevitavelmente se faz dele, principalmente por quem só ouve o som de passagem ou só pesca alguns momentos, como a explosiva e hilária declaração contra as auto-biografias no Programa do Jô. Não é raro artistas de grande nome venderem uma imagem de sorrisos e, no contato pessoal, revelarem escrotidão infinta. Que cada um tire a conclusão que quiser, ou puder.

Domingo

Domingo não vacilei: cheguei uma hora antes e garanti lugar na frente. É onde fica o pessoal mais participativo, digamos assim, durante Carrocinha de Cachorro Quente. A única diferença foi o acréscimo de Motosserra, homenagem ao Dia dos Namorados. O resto do set list foi idêntico. Nova gravação durante Eu Roubei a Gravata? e a cenoura em ação novamente. Antes de anunciar a última faixa, Rogério cita a quase obrigatoriedade do Bis em shows e diz que nunca fez isso e nunca vai fazer. Mas consta que fez no Rio. Encerra novamente com Eu e Minha Ex.

Ainda tento comprar outros discos da série, mas quando chego ao stand vejo que esgotou tudo. Fico ligeiramente decepcionado e ao mesmo tempo bastante feliz por ver que o público botou mesmo a mão no bolso.

Agora é ler o livro, aguardar o vídeo gravado nos shows e torcer para que Skylab e suas bandas continuem fazendo música.

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