Caetano vai mamar

Durou 24 horas.

A Folha procurou o Ministro Juca e ele deixou bem claro que vai rever o veto. A entrevista é uma maravilha:

Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação de irmã Dulce nem de Madre Teresa de Calcutá.

Ou seja, artista que precisa verdadeiramente do incentivo agora virou malsucedido.

Continua:

No ano passado, quando eu intervim para aprovar o show da Maria Bethânia [a CNIC também tinha negado acesso da cantora à Rouanet], já tínhamos aprovado projetos da Ivete Sangalo, artista mais bem-sucedida comercialmente em todos os tempos.

Tutti buona genti, não é?

Confrontado sobre o fato de ter negado verba para exposições como Leonardo da Vinci e Corpo Humano, o tom muda: “Não vou aqui discutir casos”.

Caetano vai mamar. O seu dinheiro. E o que é pior: o meu.

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Caetano quer mamar

Foi com surpresa, mas nem tanto assim, que li aqui e aqui sobre a tentativa de Caetano Veloso de sugar as tetas federais da Lei Rouanet, aquela lei criada para incentivar quem precisa de incentivo. Alguém que goze de sanidade mental acredita que ele precisa disso?

O pedido de dinheiro para lançar o novo CD foi negado pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), mas ninguém levou esse veto a sério: no ano passado o ministro da Cultura Juca Ferreira anulou esse mesmo veto liberando 1,8 milhões para… Maria Bethânia. Tudo acaba em família. Lembrando que Ministro Juca é conterrâneo.

Mas, claro, a Máfia do Dendê não existe.

Enfim, nada além da norma no país que queima dinheiro. Se Ziraldo, Cony, Luís Inácio e outros mamam gordos cheques da bolsa-ditadura, Dom Veloso tem todo o direito de tentar mamar da recém-instituída bolsa-dendê.

Será que o ministro Juca é fã do Anti-Jazz Quadridimensional?

Dendê

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Álbuns Pretos

O ano agora é 2006.

Na Fase Branca as sessões se modificaram, ficando bem diferentes do que eram em 2003. Como os novos membros tinham formação musical sólida era necessário equilibrar um pouco o desnível, ensaiando de forma mais convencional, com repetição. Além dos ensaios, o novo formato das sessões passou a incorporar leituras teóricas e ficou um pouco estranho para mim. Para resumir a história, acabei me afastando temporariamente e o novo quarteto voltou a ser trio. Algum tempo depois, o trio se torna novamente um duo e continua a ensaiar e a gravar.

A Fase Preta é ainda mais coesa e com uma identidade sonora mais definida que a anterior. É free-jazz puro e bem tocado, barulheira de responsa.

Os 3 álbuns resultantes – Desumasuku, Kubikiri e Shishogan – fecham uma trilogia baseada nos mangás Kozure Okami (Lobo Solitário) e Kubikiri Asa, com direito à inserção de vinhetas bastante pitorescas e estética própria nas capas. Esses títulos costumam atrair visitantes asiáticos que inclusive nos mandam emails em ideogramas. Não faço a menor idéia se é japonês, chinês, coreano, mas é divertido.

Desumasuku Kubikiri Shishogan

Ocorre que o baterista era engajado politicamente, membro do partido mesmo, o que definitivamente nunca foi a nossa praia. Os objetivos de cada um começaram a entrar em conflito, e isso não costuma ser um bom sinal em bandas. O duo se desfez.

Downloads:

OBS: Procurando pela internet, descobri que existe um projeto chamado Shishogan, que edita álbuns de Illbient, caracterizados pela “produção e reprocessamento de loops e ambiências industriais”. Como a estética das capas dos álbuns pretos omite o logo do Supersimetria, pode haver confusão quanto à procedência dos discos. O som do projeto Shishogan é bem legal. Recomendo.

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Blog recomendado: Não Sou Brahmeiro

Quem acompanha este blog há algum tempo sabe que cerveja aqui é assunto sério, sacro mesmo.

Por isso é fácil imaginar o tamanho do meu apreço pela campanha publicitária “eu sou brahmeiro”. Pois é, nenhum. Já não bastasse Zeca Pagodinho e sua imagem de bêbado legal – perguntem a qualquer médico que atende nos plantões pessoas com síndrome de abstinência da caçhaca a opinião sobre essa imagem – resolveram associar o consumo de Brahma a coisas como “ser guerreiro”. Ou seja, beber a tradicional urina de porcos gonorrentos da Inbev/Anheuser-Bush/Sabe-Se-Lá-Quem-Mais agora virou… virtude! Façam-me o favor.

Só fez piorar depois que o jogador de futebol entrou na campanha e posteriormente teve que pegar leve (trocadilho de cerveja ruim com cerveja pior é dose) quando perceberam que o comercial sugeria que seu desempenho recente nos campos era fruto do álcool. Mais um belo fail da publicidade cervejeira brasileira…

Assim, foi com grande surpresa e júbilo que ontem eu topei acidentalmente com o blog Não Sou Brahmeiro. É mais um na luta pela cerveja de qualidade. Tem 4 editores e traz boas resenhas mesmo com baixa freqüência de publicação.O post inicial é um belo manifesto, equilibrando a missão de evangelismo com o fato de que, às vezes, uma “cerveja de churrasco” ou um “chopp de happy hour” não matam ninguém. Muito menos tornam alguém virtuoso.

Tem até comunidade no Orkut. Já entrei, claro.

Nessa batalha pela disseminação da cultura da cerveja toda ajuda é bem vinda. Quanto mais blogs melhor.

Salve Marduk.

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Supersimetria na capa do TramaVirtual

Há alguns meses criamos uma página no TramaVirtual, o site da gravadora Trama que é a porta de entrada para novas bandas. Sem grandes expectativas.

Recentemente fomos escolhidos pelo pessoal do site pra figurar na lista de Destaques. Recebemos também 3 perguntas por email, logo respondidas. Bem legal.

Só que tinha mais: as perguntas faziam parte da série Gente de Extremos, que mostra a visão de 4 bandas sobre o som extremo. Hoje saiu a nossa entrevista e eis que chegamos à capa do TramaVirtual:

capatramavirtual

O texto acabou dando à banda uma cara de radical e anti-comercial que não chega a ser exatamente a nossa forma de pensar. Nem sempre o que é dito é interpretado como se quer. Faz parte do jogo.

O importante é que – como diria o saudoso Vicente Celestino – chegamos aos píncaros da glória. Ou quase isso.

Abaixo os links para a série completa:

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Álbuns Brancos

Vamos deixar momentaneamente o ano de 2003 e saltar no tempo em direção a 2004.

Algum tempo depois da consagradora apresentação na FunHouse (detalhes em uma próxima resenha), pelo mesmo Soulseek que trouxe o Supercordas entramos em contato com 2 músicos do circuito de Free Jazz, que se interessaram pelo som e marcaram um ensaio. Acabaram ficando e estava consolidada uma nova formação, agora com baterista profissional e 2 saxofones. Um breve quarteto.

Não convém comentar álbum a álbum porque a quantidade de faixas é imensa e o resultado é bem semelhante, tanto nos dois primeiros quanto nos dois seguintes.

Foram 7 álbuns no total com variações dessa formação, sendo os 4 primeiros os que eu apresento aqui, da chamada Fase Branca. Os 2 primeiros – O melhor dos iguais e Let It Be – ainda apresentam algo da sonoridade que era praticada: garrafas, camós, Reason, calimba. Mas já se encaminhando para o Free.

O melhor dos iguais Let It Be

Depois de Let It Be eu me retirei temporariamente dos ensaios e o quarteto voltou a ser trio.

Entrando já em 2005, os 2 discos seguintes exploram a fundo a técnica de composição denominada de Teoria dos Jogos (disponível para download). Trata-se de exercícios curtos para treino de sincronismo, altura e intensidade dos sons, sem formalidade excessiva ou leitura musical. Jogos é praticamente uma apostila sonora da teoria, enquanto Ouroborus apresenta sons um pouco mais longos. Ambos já soam como free-jazz puro.

Jogos Ouroboros

Depois disso o saxofonista sai, o trio volta a ser duo e grava 3 novos discos. É a Fase Preta, centrada em mangás e bastante coesa no som. Barulheira de primeiro escalão, assunto do próximo post.

Faça o download abaixo:

O melhor dos iguais

Let It Be

Jogos

Ouroborus

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Beer Evangelismo: Ide e Pregai em nome de Marduk

Merodaque

O blog Brejas, tradicional fonte de conhecimento cervejeiro, lançou um tema interessante e necessário: o beer-evangelismo, ou seja, a divulgação do conhecimento cervejeiro para o grande público que desconhece a vastidão desse mundo.

É natural querer compartilhar com amigos alguma coisa boa, seja um bar, um som, um destino de viagens. Quem descobre o universo da cerveja também vai querer divulgar. E é aí que reside o problema. Ao tentar divulgar a cultura cervejeira para quem só conhece as pilsen de massa, corre-se o sério risco de cair na armadilha do pedantismo, que até pouco tempo era exclusivamente vinícola.

Associar vinho a pedantismo é algo quase natural, tamanhos foram os esforços de tornar a bebida algo esnobe. Agora, a mesma ameaça ronda a cultura da cerveja.

Ao tentar educar os amigos sobre a infinidade de sabores e variedades da cerveja, muita gente pode acabar passando a imagem de chato, inclusive criando o neologismo “cervochato”, para fazer companhia ao enochato. OK, sejamos mais explícitos: muita gente É cervochato. O próprio vocabulário usado, embora necessário para transmitir o conhecimento, pode passar essa impressão. É nesse momento que entra em cena a sensibilidade do evangelizador. Como disse um visitante do Brejas: “O segredo da boa comunicação reside na habilidade de usar um vocabulário adequado à audiência”.

Mas a cerveja artesanal não é elitista e inacessível? Sim, eu sei que a cerveja artesanal é cara. Mas tem gente que gasta 300 reais em uma calça. Eu gasto 30 em uma garrafa de cerveja. Questão de escolhas. E mais: tem muita gente que adoraria tomar uma simples Bohemia Weiss ou Confraria e sequer sabe que elas têm sabor diferente ou mesmo que existem. E convenhamos, uma Eisenbahn longneck por 3 reais não é nada de outro mundo. A não ser para quem só bebe em quantidades industriais, para satisfazer espectativas de grupo. E é aí que reside o outro lado da questão.

Evangelistas, pérolas e suínos

Você, caro leitor, já iniciado nos caminhos de Marduk, chega repleto de boas intenções a uma mesa de bar e, de forma sutil, tenta introduzir o assunto. Comete o erro de questionar o dogma das massas de que só se bebe cerveja “estupidamente gelada”. Imediatamente vai ser taxado de “fresco”. Com graus variados de agressividade no uso do termo. Há comunidades no Orkut onde a simples menção do termo “papilas gustativas” desencadeia uma cascata de ofensas. Cada um tentando aparentar mais fidelidade à manada do que o outro.

Já que estamos no campo da evangelização, chamo aqui o evangelista Mateus Levi, que escreveu:

Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas; para que não as pisem, com os pés, e, voltando-se, vos despedacem.

Mateus 7:6

Estou chamando seus amigos de porcos? Não necessariamente. Apenas afirmo que tem gente que se recusa a absorver conhecimento e só consegue viver como parte de um rebanho, adotando comportamentos de manada. Se esse rebanho é tratado com rações de Skol e similares, gosta e não abre mão, que fique com isso.

Se seus amigos reagem à sua tentativa de apresentar cervejas com C maiúsculo te chamando de fresco… troque de amigos! Não estou brincando. Amizades se baseiam em afinidades. Você realmente precisa conviver com gente que tripudia da sua boa intenção de tentar apresentar cervejas fantásticas?

Pense nisso.

E salve Marduk!

OBS: Ciente do risco do pedantismo, evito recusar Skol e outras amostras de urina de porcos sifilíticos onde não houver outro jeito. Recentemente estive um jantar, e fiz questão de levar algumas Eisenbahn Strong Golden Ale e Dunkel para evangelizar. Mas não recusei uma lata de Skol para abrir os trabalhos. Claro que, assim que terminou a primeira, fui correndo para a Bohemia. A diferença já é marcante.

OBS 2: A abordagem meio sacra que dou à cerveja não é muito comum em outros sites, que preferem tratar mais dos aspectos técnicos e organolépticos. Ambas são válidas. O ritual é parte importante das interações humanas e, que mais não seja, o próprio Cristo era fabricante de vinho nas horas vagas. Salve Marduk novamente!

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MESA

MESA

O conceito por trás de MESA surgiu pela primeira vez ao final de um pronunciamento gravado mas não utilizado, não sei se em 2001 ou 2002. Logo se impôs pela força conceitual que carregava.

Como em outros casos, nasceu como som e se transubstanciou em disco.

Cuidado ao ouvir Mesa para não cair na armadilha de tentar entender demais as coisas e procurar significados no som e na letra. Mesa é taoísta e transcende o conceito de “mensagem” na música.

Ah, cuidado também – e principalmente – para não superestimar a coisa toda e rotular de “genial”, como já fizeram. É bem menos que isso.

Clique no disquete de 5 polegadas para baixar.

Download MESA

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Delay

Delay

2003. Eu não estava brincando quando disse que a produção sonora desse ano foi elevada. E está longe de acabar.

Muitos instrumentos passaram pelo estúdio Arbória nesses 7 anos, alguns tiveram seu momento de glória e acabaram no lixo por engano. Nunca cometa o erro de presumir que uma faxineira sabe o que deve fazer. Dê instruções claras sobre o que pode e o que não pode ser jogado fora.

Um deles, porém, não apenas permanece até hoje como evoluiu de acessório de guitarra para uma categoria sonora com vida própria. Me refiro ao pedal de delay, aquele efeito que gera um som de eco. Para ter um exemplo prático basta sintonizar qualquer rádio AM. Aplicado com moderação, o delay cria um ambiente que lembra um grande auditório. Usado de forma desenfreada, passa a interferir no seu dia-a-dia e se incorpora ao seu estilo de vida.

Sem perceber, você passa a ouvir os mais diversos sons e se pega pensando em como isso soaria com delay. Depois de um certo tempo a questão não é mais se o delay cabe em determinado som, mas o quanto deve ser aplicado.

É claro que isso tudo só poderia resultar em um álbum: Delay é um trabalho solo de Rob Ranches, mentor da banda, mas nem por isso deixa de fazer parte da sonografia. Essa é a vantagem do Supersimetria: bandas do mainstream entram rapidamente em crise quando um membro decide fazer um disco solo. “Será que ele não está mais a fim de tocar?”, pensam os demais membros. Aqui a gente resolve de forma rápida e indolor: o disco solo entra para a discografia da banda e estamos conversados.

O álbum é completamente microfonal, para o deleite dos fãs do estilo. O delay puro marca presença em ReMiles, onde Miles Davis está tocando seu trompete placidamente quando é subitamente possuído pelo efeito e se desfaz no éter. Ouça e sinta o desconforto que isso causa. O delay tem essa propriedade: confundir a noção de tempo, gerando um desconforto no ouvinte.

Com o Sound Forge já é possível se iniciar nessa arte. Quem quiser se aprofundar deve adquirir o pedal Digital Delay da BOSS e/ou uma mesa de som.  Eu recomendo.

Baixe e ouça.

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I Am A Craft Brewer – O orgulho cervejeiro

Quem é fã de cerveja talvez já conheça, mas faço questão de divulgar. Trata-se de um vídeo que foi criado para mostrar o espírito de colaboração entre as micro-cervejarias americanas. Foi apresentado na Craft Brewers Conference 2009, que aconteceu em abril em Boston.

Para quem não sabe, a cerveja artesanal vem se tornando um movimento cada vez mais forte nos EUA. São mais de mil fabricantes. Predomina a colaboração e a troca de informações entre as empresas, que têm um inimigo em comum: as cervejarias gigantes que oferecem cerveja de péssima qualidade. Aliás, pode-se dizer que esse inimigo é hoje o mesmo lá e aqui depois que a InBev comprou a Anheuser-Busch.

O vídeo é muito bem produzido e vai na linha “guerreiros da cerveja”. Só que, ao contrário de outras áreas como música e esportes, nesse caso é uma postura mais do que bem-vinda. Em vez de rivalidade e fanatismo cego, gera colaboração e soma de forças, porque o fã de cerveja artesanal dificilmente é casado com uma marca e está sempre disposto a experimentar outras. Ao contrário da massa que não abre mão da urina de porco conhecida como Skol.

Assista e veja o orgulho com que eles dizem: “Eu não ponho milho ou arroz na minha cerveja”. :)

Para ver com legendas em português, clique no link abaixo do vídeo e vá até o YouTube, depois ative as legendas no canto inferior direito do vídeo.

Eu ainda não sou um craft brewer, mas me identifiquei 100% com o vídeo.

Salve Marduk!


Link do Vídeo

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