Feliz Aniversário, mundo!

Hoje é dia de festa: o mundo está fazendo aniversário: 6.012 anos!

Em 1658, lá na atual Irlanda do Norte, um arcebispo anglicano chamado James Ussher resolveu calcular a data da criação. Usando a Bíblia (claro) foi compilando a cronologia dos personagens principais, somou as idades e chegou a um resultado interessantíssimo:

O mundo foi criado às 9:00h da manhã do dia 23 de outubro de 4.004 AC.

Precisão até na hora!

Se hoje é motivo de riso, esse cálculo foi levado a sério durante muito tempo.

Méritos para James, que pelo menos tentou.

Muito mais valor tem ele do que esse povinho fundamentalista cristão que nega a datação por Carbono 14 mas não recusa tratamentos da medicina nuclear.

Um brinde ao mundo! Se possível, com Guinness em homenagem ao nosso amigo Ussher.

James Ussher

Agradecendo ao prof. Myers por lembrar da data. Eu tinha esse texto planejado faz tempo mas nunca parei para escrever. Quase deixo passar.

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Consegui pular o Vista

7

Hoje começa a grande oportunidade da Microsoft de se redimir por um de seus mais gritantes erros desde o Windows Millenium: o Vista.

O Vista nasceu condenado, cheio de bugs, com requisitos de hardware bem pesados para poder mostrar todas as frescuras transparentes, cópia lenta de arquivos, etc e etc. Protagonizou dois momentos constrangedores:

1 – Um fenômeno até então inédito: o downgrade, ou seja, o ato de desinstalar o SO (Sistema Operacional) e voltar à edição anterior, o XP, consagrado e bastante estável com o SP3.

2 – A ridícula campanha publicitária com Jerry Seinfeld.

Tudo isso é passado. Agora, chega o Windows 7. Número cabalístico, missão grandiosa: sepultar o Vista. Pelo que andei lendo nos blogs tecnológicos, o beta foi bem aceito e há espectativa de que o planeta inteiro migre o quanto antes.

O dia de hoje, para mim, marca uma vitória pessoal: eu pulei completamente o Vista.

Nunca instalei. Cheguei a operar por algumas vezes no  notebook da patroa, comprado com Vista. Mas continuo firme no XP.

A princípio não vou fazer upgrade. O desktop é um Pentium 4 meio velhinho que precisa ser aposentado, e o notebook vai ficar com o XP SP3 porque é usado para trabalho diariamente. Talvez experimente em uma máquina virtual.

Só lamento o fato da interface ribbon do Office 2007 virar padrão no 7. Nunca gostei daquilo, só faz roubar espaço da tela. Enfim, o ser humano se acostuma com quase tudo.

Morra em paz, Vista.

E se você ainda acha que não tem um motivo forte para migrar, assista a este constrangedor vídeo interno da Microsoft, com uma paródia de Born in the USA, de Bruce Spreengsteen, para motivar a equipe a vender o Vista SP1…


Link do Vídeo

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Ou-tonus

Ou-tonus

Ou-tonus é pura pesquisa, puro experimento.

Pegue o som e torça suas propriedades, dobre suas frequências, amasse as ondas.

Isso é som experimental. É laboratório mesmo, misturar uma substância com outra, agitar o frasco e olhar com ar interrogativo para a mistura. Se der errado ou explodir, CTRL+Z e tenta-se de outra forma.

Fazer som experimental não é tirar onda de intelectual, embora possa ser. É a simples vontade de desmontar o som e reconstruir depois, recusando o dogma que diz que música deve ser apenas reproduzida e mantida em estado imaculado. Gostamos de imolar essa música sem mácula no altar dos softwares de edição de som, usando um cutelo matemático e um manto de sintetizadores emulados. Às vezes damos uma de Abrão e imolamos nossas próprias criações, como no caso dos pavês, com a vantagem de não ter nenhuma instância superior para impedir o desfecho do golpe.

Este disco é bastante atormentado e muito, muito variado. Chega a ser difícil de descrever e resenhar. Mas há um destaque:

Artificial Delay Rain: sabe aqueles CDs com sons da natureza, tipo chuva? Esta é a versão supersimétrica. Trata-se literalmente de uma chuva de delay. Barulho de chuva mesmo.

Gosto de ouvir essa chuva no Winamp em modo Repeat Track, às vezes por horas a fio, durante o trabalho. Tem a mesma propriedade de distrair e isolar que os pavês. E aumenta a produtividade do recurso.

Baixe e ouça.

Algumas idéias e produtos vingam e se tornam sucesso de público. Outras fracassam de forma estrondosa, principalmente quando são boas. São estas últimas o tema do próximo disco.

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Adeus Unibroue

Faz tempo que não escrevo sobre cerveja. Infelizmente, dessa vez a notícia não é boa. É bem ruim.

Pensando bem, é quase uma desgraça.

A Unibroue vai deixar o Brasil. Na verdade, vai deixar de exportar para fora da América do Norte.

Vamos colocar as coisas em perspectiva: essa cervejaria canadense não deixa nada a desejar a nenhuma das 7 trapistas.

A La Fin du Monde é um espetáculo que vale por cada gota os mais de 50 reais cobrados aqui. É daquelas cervejas que calam a boca dos cordeiros que entoam o canto de que “cerveja diferente é coisa de fresco”. Bastam um ou 2 goles.

Agora, acabou. Quem quiser vai ter que ir até o Canadá, ou até o país vizinho, se conseguir entrar. A Unibroue foi comprada pela japonesa Sapporo, e não posso deixar de farejar aí o cheiro podre de alguma decisão corporativa.

O que ainda está no estoque por aqui vai ser vendido a peso de ouro, claro. Só resta adaptar o antigo mote de Marcelo D2:

Não compre, faça.

Ou atravesse a fronteira do México e vá ser coiote lá na América do Norte (ouvindo Brujeria, claro!).

Fim do Mundo

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Corporation – A land of shiny happy people

Missão

Resenhar o álbum Corporation no âmbito da nossa vida corporativa pregressa.

Visão

Um mundo banhado de som e ruído, com menos crachás e mais monastérios trapistas.

Meta

Transformar tudo em som.

Corporation

Caros leitores,

“Pendure o crachá, e deixe sua alma na recepção”, já dizia uma antiga canção.

Muito antes de formar o Supersimetria ou de travar os primeiros contatos na pensão onde as canecas ficam sujas, as corporações faziam parte de nosso dia-a-dia. Pequenas, médias ou multi, elas estão aí mesmo e não adianta fugir. A menos que você seja o criador do Planeta Lamma, milionário da Mega Sena ou um eremita que vive isolado do mundo fabricando sua própria cerveja (anotar essa idéia), não vai conseguir fugir do pujante, dinâmico, desafiador e sinergético mundo corporativo para prover seu sustento e viabilizar suas libações, sejam elas protéicas, lupuladas ou frequênciais.

Dada essa realidade, não haveria como deixar de prestar uma homenagem a este mundo que nos prende, sustenta, financia e consome. Em Corporation – A land of shiny happy people nossa meta foi traçar uma visão panorâmica global dos aspectos do som corporativo, com comprometimento e foco nos resultados. Acreditamos ter atingido a meta.

Assim, tendo em vista que a constante expansão de nossas atividades sonoras exige precisão e definição, dispondo de um vasto índice transacional das formas de ação, passo a apresentar as faixas:

1 – Trainee (Sofrimento Eletrônico): Quem começa na corporação sempre deve sofrer e provar seu valor. Aqui o sofrimento é eletrônico, emulando gemidos inexprimíveis de angústia diante da rotina e da condição de bode (não seria cordeiro?) expiatório.

2 – Comprometimento: Aqui o recurso é chamado a afirmar seu alinhamento com os valores da organização, atravessando quase 10 minutos de bateria fraca, marimba e ataques de sax free com delay.

3 – Projeto é um empreendimento temporário que tem o propósito de gerar um serviço ou produto ou resultado único: Momento conceitual já no título. Neste caso, o produto ou serviço único é um diálogo confuso entre Camós, flauta de plástico e sax, tudo com base Reason. Como todo projeto que se preza, este atrasou. Camós entrou bastante atrasado, depois de uma hesitação semi-infinita. O problema era o músico, que estava elevado na ocasião.

4 – É só Sucesso!!!: Agora sim, começamos a trilhar o caminho! Nesta faixa empacotamos verdadeiras jóias do conhecimento motivacional, temperadas com delay. Seja você um practitioner ou não, encontrará aqui o farol que ilumina o caminho mas que não o faz caminhar. É simples, mas não é fácil. Vá até o fim e seja presenteado com o apoteótico e ensandecido final, onde encontrará sua verdadeira e derradeira recompensa.

5 – Cargos gerenciais garantem sua evolução: Conforme ascende na estrutura organizacional, o vivente chegará fatalmente à gerência. Este free-jazz com Camós é seu passaporte para novos desafios e benefícios.

6 – Endomarketing positivo com foco em teamwork e alvo no stakeholder: Já que o assunto neste ponto é o endomarketing, devo confessar: esta é uma das mais belas canções que criamos no Supersimetria. Mergulhe neste mar de teclados, e saia ungido pelos stakeholders.

7 – Corporation, a land of shiny happy people, welcome :) – Este é o momento crucial, o meeting com o board. É o momento de explanar suas ações com clareza e tato, sem esquecer a energia, a assertividade e o approachability. Com o auxílio do SGDC, a vitória é certa. Celebre no final, não se esquecendo de tentar rir sempre mais alto que os demais felizes e brilhantes.

8 – Valor Agregado e Sinergia: O tom meio cansado e melancólico desta faixa pode passar a idéia de desilusão e/ou desencanto, mas não se deixe abater pelos dream-stealers. Lembre-se de que é simples, mas não é fácil. Redefina processos, mantenha o foco nas metas e a determinação; o final do exercício está chegando!

9 – O canto do vencedor: O caminho foi árduo, mas você venceu. Seu prêmio é um microfonal de 11 minutos.

Acima de tudo, é fundamental ressaltar que o início da atividade geral de formação de atitudes acarreta um processo de reformulação e modenização, definindo alta capilaridade para os processos no quadro multidisciplinar, dentro da macro visão e escopo das formas de ação.

Baixe Corporation e aprenda a ser bem sucedido, o que quer que isso signifique para você.

OBS: Os parágrafos acima pareceram vazios, enrolados e desprovidos de sentido? Não é acidental. Foram gerados – assim como a faixa 7 – a partir do SGDC (Sistema Gerador de Discursos Corporativos). Baixe e use à vontade para aumentar o valor agregado e conferir mais sinergia às suas interações dentro da organização.

OBS2: Há uma revelação na capa. Mais não digo.  :)

Aproxima-se o outono…

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Todas as canecas estão sujas

Canecas sujas

Este disco é solo e contemporâneo do Ionic Butterfly, embora tenha sido lançado como sendo de 2004. O tempo é um conceito elástico.

Todas as canecas estão sujas pertence ao período sabático em que a banda mergulhou após o cisma de 2003. É todo ele um grande experimento com música eletrônica, software, loops e especialmente repetição.

Ao ouvir você vai invariavelmente chegar a um ponto em que se pergunta: “mas o som não sai disso até o fim?”. Não, não sai. Porque é exatamente esta a proposta: é um laço de repetição sonora.

while (canecas)

   while (faixa)

     thread.run(loop1)

     thread.run(loop2)

     …

     thread.run(loopn)

    end

   faixa.next

end

O álbum é bem coeso e não há uma faixa que se destaque, é mais o conjunto mesmo. Robusto, transacional e atormentado.

Baixe e rode os loops no seu Winamp.

Prepare seu crachá, seu terno, e seu espírito de teamwork, porque 2004 continua…

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Adeus a Jacarepaguá

Escrevo este texto como homenagem ao autódromo de Jacarepaguá.

Ferido gravemente em 2007, hoje teve sua morte decretada com a escolha do Rio para as Olimpíadas de 2016. Vai ser destruído para dar lugar às instalações dos jogos.

Jacarepaguá mutilado
O autódromo, já mutilado.

Fui lá em 1997, assistir à antiga Fórmula Indy.

Era minha primeira vez na cidade. Bonita, mas não achei isso tudo que cantam. Não tenho essa “brasilidade sambística” na veia. Sete anos depois, voltaria à cidade para conhecer Damião Experiença. Aí sim, descobri o grande mérito do Rio de Janeiro: ter acolhido Daminhão.

Foi também minha primeira viagem de avião: era um Fokker 100 da TAM. Comecei mal.

Gostei bastante do autódromo. Sendo plano, proporcionava visão ampla. A corrida da Indy era no circuito oval – um trapézio, para ser exato – com visão total da volta. Sem falar no cenário em si. A “quebrada de responsa” que circunda Interlagos nem de longe se compara aos arredores de Jacarepaguá.

Fora isso, havia o choque de ver toda a operação dos boxes de forma aberta, sem aquele aparato dos boxes da F-1 que limita a visão do público. A Indy, como se sabe, sempre foi mais aberta, festiva, informal. Exatamente o oposto dos afetados europeus da F-1, que conseguiram transformar a categoria no supra-sumo da frescura, arrogância, custos proibitivos, pelegos freando na reta final e novos pelegos se jogando no muro.

A corrida foi vencida pelo canadense Greg Moore, que, anos depois, morreria em um acidente cinematográfico. Na pista, que é como pilotos devem morrer.

Já um autódromo não deveria morrer nunca. Mas é preciso dar espaço à vitória pessoal do Grande Líder. Nem que isso custe 25 bilhões.

Que Jacarepaguá descanse em paz. E que seus assassinos sejam amaldiçoados por 63 gerações.

Jacarepaguá
Pista boa, belo cenário.

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Vida Amarga

E 2003 finalmente chega ao fim.

Olhando agora, o período compreendido entre 2001 e 2003 foi extremamente rico, daqueles que sempre vão ficar nas recordações.

Conhecemos de tudo nesse breve instante do tempo: alianças e desilusões (pessoais e profissionais), processos e rituais sonoros, celebrações coletivas e individuais. Viajamos até Arbórea — para quem não sabe, é uma das luas do planeta Mongo — e lá nos convertemos à fé do povo-árvore . Subimos ao nível 7 e lá permanecemos, muitas vezes mais do que o recomendável. Descobrimos literalmente dúzias de influências e tentamos em vão imprimir método ao nosso caos de ondas sonoras.

O fim de ano costuma ser época de dor de cabeça para a população paulistana, bovinamente imersa naquelas obrigações que acompanham o calendário: compra de presentes, comida em excesso, falsidade a rodo em festas familiares/corporativas, stress, trânsito, shoppings inviáveis.

Em Arbórea, alheios a isso tudo na medida do possível, aproveitávamos o tempo registrando som. Experimentando e tentando retornar ao Krakismo primevo, misturado às novas percepções eletrônicas e sintetizadas. E pensar que eu abominava qualquer resquício de eletrônica na música quando era guerreiro do metal. Como sabiamente afirma o maestro Cristaldo, a juventude é uma doença que o tempo se encarrega de curar.

Vida Amarga

Dessas sessões sai Vida Amarga, disco que já reflete no título o espírito daqueles dias. Não em um sentido propriamente negativista, mas de experiência mesmo. Experiência de quem tomou incontáveis pula-piratas e soube se manter de pé, sem ceder ao canto das sereias de gravata e crachá. A recompensa por manter convicções sonoras e pessoais viria em breve, e nos mostraria que, se experiências passam e deixam marcas, a experiença jamais çessa. Essa é talvez a lição mais valiosa que aprendemos.

Às faixas:

Macabeus: base Reason e viagens de teclados.

The song of the flying cetaceans: é o sub-estilo que batizamos de Microfonal Baleia, dado o tipo de som que é extraído dessa microfonia.

A segunda vinda: microfonal fantasmagórico. Nessa época nem fazíamos idéia, mas era o reverendo Belmiro Aguiar e seu serrote já nos influenciando.

Belkira: tentativa de free-jazz com piano, sax e bateria de teclado em uma primitiva tentativa de executar blast beats.

Vida Amarga: vinheta com esquisitices de teclado.

Conurbação: microfonal meio industrial. É o começo dos microfonais percussivos.

Possessão Controlada: uma bateria Reason garante o ritmo para viagens de teclado e Camós. Esse som tem uma continuação no álbum Corporation.

Electronic Sheng: teclados com efeitos diversos, lembrando o instrumento do título.

Aviário Nuclear: microfonal com pesadas doses de delay que alterna de forma incômoda entre os canais esquerdo e direito. Experimente ouvir com fones. O título é a impressão causada pelos sons mais agudos.

Baixe e ouça.

2004 vem chegando.

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Show conceitual no centrão: sucesso de não-público

Há exatamente uma semana o Supersimetria tocaria na noite paulistana. O tempo verbal pode sugerir que o show não aconteceu, mas não é bem assim. Aconteceu, mesmo sem ter acontecido.

Chegamos ao Ocean Club às 21:00h. É complicado tentar descrever o local, a foto do camarim é bem mais eficiente nesse sentido:

Camarim
Me lembrou a música Secretária da Beira do Cais…

Nos sentimos o próprio Adelino Nascimento em começo de carreira. O palco tinha espelhos ao fundo e dois postes de pole-dancing. De uma escada em caracol descia-se a outros… ambientes, onde teriam lugar as performances. De lá, emanava um cheiro nauseabundo. Tenho quase certeza de que as formas nefastas e vampiros astrais moravam ali.

Nas laterais da platéia, mais sofás em padrão onça. Ao mesmo tempo, me senti no disco Anymalize, do KISS…

Em meio a tudo isso, começamos a montar o pedaltron e passar o som. Um dos técnicos se revelou profundo conhecedor de som, mencionando Sun Ra entre outros.

Pedaltron
Montado e pronto para a função

Montada a bateria e acertado o esquema da mesa de som, eis que o produtor do evento, relutante e desapontado, nos comunica que não haveria o evento. Por absoluta falta de público, tornava-se financeiramente inviável abrir a casa. Deixamos claro que compreendíamos perfeitamente a inviabilidade do negócio e, diante do inevitável, resolvemos fazer o primeiro som assim mesmo, um freezão com base de baixo e piano gravadas no Reason. Mandamos ver, e no meio do som, o proprietário da casa veio comunicar que estavam fechando. Mandamos um rápido blast-beat com sax suíno para encerrar, coisa rápida, de uns 30 segundos. O olhar do proprietário revelava que ele não era um apreciador do som extremo.

Enquanto desmontávamos a bateria e os pedais, a constatação: havíamos feito um show puramente conceitual. Para zero pessoas. Rob lembrou que nem mesmo quando era membro atuante da mais tosca cena punk paulista aconteceu de tocar para ninguém.

Fracasso? De forma alguma! Dentro da estética e dos valores supersimétricos, um completo êxito. Um salto quântico entre o fracasso de público e o sucesso de não-público.

Desmontado o cenário e guardados os instrumentos, decidimos cumprir uma demanda na noite paulistana, já que estávamos a poucos metros de distância: comer o consagrado pernil do Estadão, lotado em plena madrugada, como sempre.

Veja mais fotos no Flickr.

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O que é Qliphot

A título de curiosidade, segue a definição de Qliphot:

Segundo a filosofia cabalística,  Qliphot é um plano habitado por entidades malévolas de todo tipo, inclusive Vampiros Astrais, formas-pensamento nefastas, elementais naturais e artificiais, elementares, larvas, entre outras criaturas perigosas. Cada esfera Sephirotica tem seus correspondentes Qliphoticos. Somente Magos experientes devem tentar penetrar nessas esferas obscuras de poder.

Eu não sei quanto a vocês, mas para mim uma forma-pensamento nefasta tem toda a cara de um microfonal…

Fonte: Aqui.

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