Ou-tonus

Ou-tonus

Ou-tonus é pura pesquisa, puro experimento.

Pegue o som e torça suas propriedades, dobre suas frequências, amasse as ondas.

Isso é som experimental. É laboratório mesmo, misturar uma substância com outra, agitar o frasco e olhar com ar interrogativo para a mistura. Se der errado ou explodir, CTRL+Z e tenta-se de outra forma.

Fazer som experimental não é tirar onda de intelectual, embora possa ser. É a simples vontade de desmontar o som e reconstruir depois, recusando o dogma que diz que música deve ser apenas reproduzida e mantida em estado imaculado. Gostamos de imolar essa música sem mácula no altar dos softwares de edição de som, usando um cutelo matemático e um manto de sintetizadores emulados. Às vezes damos uma de Abrão e imolamos nossas próprias criações, como no caso dos pavês, com a vantagem de não ter nenhuma instância superior para impedir o desfecho do golpe.

Este disco é bastante atormentado e muito, muito variado. Chega a ser difícil de descrever e resenhar. Mas há um destaque:

Artificial Delay Rain: sabe aqueles CDs com sons da natureza, tipo chuva? Esta é a versão supersimétrica. Trata-se literalmente de uma chuva de delay. Barulho de chuva mesmo.

Gosto de ouvir essa chuva no Winamp em modo Repeat Track, às vezes por horas a fio, durante o trabalho. Tem a mesma propriedade de distrair e isolar que os pavês. E aumenta a produtividade do recurso.

Baixe e ouça.

Algumas idéias e produtos vingam e se tornam sucesso de público. Outras fracassam de forma estrondosa, principalmente quando são boas. São estas últimas o tema do próximo disco.

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