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O tempo é elástico e é fácil pular de 2005 para 2007 em busca de material para uma resenha que foi esboçada em 2009 e que só viu a luz do dia em 2011. Parece muito tempo? Nesse breve instante Saturno não completou nem meia volta, e o ex-planeta Plutão mal saiu do lugar. O que segue vem logo depois das fases Branca e Preta.
Options for the Architecture of the Species é mais um disco solo de Rob Ranches, com material de 2005, de uma fase bastante voltada à experiença eletrônica.
Já aviso que esse é um disco eletrônico. Portanto, guerrilheiros da guitarra fiquem longe ou abracem o capeta de vez.
Eletrônico, nesse caso, não significa cair na monotonia do bate-estaca. Portanto, eventuais guerrilheiros das pistas podem esquecer, não é um disco dançante. A menos que você dance com ritmos que chegam e somem repentinamente, deixando o ouvinte em um vazio que é preenchido logo em seguida com frases disformes e loops em diversos graus de obsessão repetitiva.
Options tem ritmo (e ritimo), loops em profusão, de[s(in)]formação e a ausência de microfonais, que foram colocados em suspensão sonora na época. Sem listar todas as 14 faixas, eis aqui impressões sobre as que se destacam:
O eletrônico “raiz” acontece em Som[Ar]{ter[ia(l)]} e em menor escala em Remedy, faixa que abre o disco.
O tema meio melancólico de Forja é repetido em de[s(in)]formação com nova roupagem. Em ElectroZion um pulso onipresente marca aparições breves de loops minimalistas. E se em Kill Bill é possível perceber uma levada quase-bossa, Fornalha traz um sintetizador de fraseado rápido, quase virtuoso. Chega a lembrar Van Halen. Indiferentes a tudo isso, os loops rodam a obsessão de fundo.
Se conseguir chegar até aqui, experimente Os lamentos de Lacan: loops robóticos com um timbre sujo e aquela sensação de que alguma coisa foi configurada errado. Dá a impressão de um som fora de foco. Sinestesia pura.
Olinda apresenta um trompete que passeia sobre uma base meio preguiçosa. Se ficarmos exclusivamente no campo damiônico de definição de estilos, este poderia ser facilmente classificado como um frevo.
A capa faz menção à verdadeira dinâmica evolutiva. Por causa daquela famosa imagem do macaco que vai se levantando e se torna Homo sapiens ereto, existe uma tendência popular a acreditar que a evolução é linear, quando, na verdade, é ramificada. Razão pela qual a infame pergunta “Se a evolução é verdade, por que ainda existem macacos?” é completamente equivocada e um sinal claro de alguém que não faz a menor ideia do que seja a Teoria da Evolução.
Em seguida, vamos visitar uma tecelagem de som. Prometo que será antes de 2013…