Ainda em 2002, quando o conceito de Nação já amadurecia, a simples menção da idéia poderia causar olhares de reprovação. E causava. Quase sempre em pessoas nascidas fora do estado.
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Curiosa essa idéia de que um paulista não pode afirmar o amor pelo estado. Penso que tem a ver com a liderança econômica: assim com o brasileiro sofre de uma síndrome de coitadismo e de ode ao mais fraco, considera errado que um estado que personifica a pujança econômica afirme sua condição. Assim, é legal e politicamente correto a um baiano ou carioca (só para citar os 2 estados que mais investem na auto-imagem) declarar o amor ao próprio estado. Mas não a um paulista, nascido neste estado opressor e imperialista.
É claro que isso é uma imensa asneira. E assim sendo, gostem ou não, surge em 2003 o álbum Nação. Em suas 21 faixas desfilam fatos, personagens e lugares que fizeram a história paulista.
Não vou comentar todas as faixas, porque muitas coisas se repetem. Mas algumas são dignas de nota:
Para começar, a abertura: NON DVCOR DVCO, um grindcore dos mais precários e toscos. Essa gravação foi e é motivo de orgulho para nós. É um exemplo de libertação: como não conseguíamos achar o tempo certo da bateria, optamos por gravar a batida absolutamente reta, sem qualquer virada. O resultado, como vocês poderão ouvir, foi sublime. O título é o lema do brasão da cidade de São Paulo e significa algo como “Não sou governado, governo” ou “Não sou conduzido, conduzo”. Dona Marta Teresa aprendeu direitinho o significado dessa expressão na eleição de 2008, quando achou que dobraria o eleitorado explorando a vida pessoal do prefeito para ganhar…
Logo em seguida, embarcamos em uma locomotiva da saudosa linha Sorocabana em M.M.D.C.(A.) para um passeio de trem pelo estado, com baixo em delay e microfonias diversas. Já com o A (de Alvarenga) incorporado à sigla tradicional de 23 de Maio, conforme as recentes revisões históricas.
Em Piratininga fazemos uma fusão de 2 versões do Hino do Estado de São Paulo (sim, isso existe) e declamamos expressões típicas nos sotaques da capital e do interior. Em Liberal 1842 arriscamos um som a Damião Experiença, com um ótimo resultado.
Para quem estava com saudades do Chorume, oferecemos Guerra dos Emboabas.
Entradas e Bandeiras é a homenagem aos bandeirantes que, de forma tão amistosa e afável, travaram contato pacífico com os silvícolas e desbravaram o interior do estado.
Tietê é o microfonal de praxe, com algo a mais: uma surpreendente profecia sobre o fim da era da informação.
Fechando, Anhangabaú (a queima das almas). Aqui o experimento com sax e delay criou o que julgamos ser a trilha sonora para a queima de almas condenadas no juízo final. Essa faixa teria uma espécie de continuação em Altar Quântico, o disco seguinte.
Nação marca o primeiro cisma da banda, quando um dos membros foi convidado a se retirar por divergências musicais e… gerenciais, por assim dizer. Passamos a trio, com o baixista fazendo a guitarra quando fosse necessário.
Faça o download e boa audição. Conforme explicado no resumo do disco, dipensamos acusações de separatismo.
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