Jesus é cor-de-rosa, tem gosto de canela e cravo e foi criado por um farmacêutico ateu e excomungado.
Não, eu não enlouqueci. O Jesus a que me refiro é um refrigerante. Quem já esteve em São Luis deve ter visto, por toda parte, uma bebida estranha, de um cor-de-rosa vivo, disponível em cada esquina. É o Guaraná Jesus, ou Cola Jesus, como costumam chamar por lá. É fabricado e vendido unicamente no Maranhão, sendo praticamente um símbolo do estado. Deveria fazer parte do brasão ou da bandeira.
Quando eu digo vendido, é vendido mesmo. Tanto quanto a Coca-Cola e mais que todos os refrigerantes da Ambev. Em qualquer restaurante você pode pedir “Me vê um Jesus” e o garçom entenderá na hora. É bem provável que muito maranhense, ao ouvir a palavra jesus, associe primeiro ao guaraná e depois ao galileu.
A história por trás do guaraná é interessantíssima. O criador foi o farmacêutico Jesus Norberto Gomes, que descobriu o guaraná por acidente, enquanto tentava sintetizar um remédio com ingredientes originários da Amazônia. Não bastasse isso, era ateu e foi excomungado pela Igreja Católica após surrar um padre. Um distinto cavalheiro, de feitos notáveis, sem dúvida.
Durante várias décadas a receita foi mantida em segredo pela família do nobre Jesus Gomes. Conta-se que Marlene Mattos – que é maranhense – tentou comprar a fórmula para lançar como Guaraná da Xuxa. Graças a Oxu e Orixá ela fracassou.
Alguns anos atrás, após várias investidas, a Coca-Cola finalmente comprou os direitos e é hoje a dona de Jesus. Sabendo que, se tocasse no orgulho do estado cairia em desgraça no feudo Sarney, a empresa tomou a sábia decisão de não mexer com o produto. Na verdade, o Guaraná Jesus sequer aparece no portfólio de produtos no site da Coca-Cola. É quase um produto marginal.
Detalhe para o slogan: “O Sonho Cor-de-Rosa”. Se Luiz Mott olhar essa lata, aí é que vai aumentar sua convicção sobre a orientação sexual de Jesus (o Galileu, não o farmacêutico).
Bela história, mas e o sabor? Presta essa espécie de ki-suco com gás? Depende. Há quem deteste e há quem não passe sem. Vale experimentar pela curiosidade turístico-gastronômica, mas já aviso que é doce. Como filho do interior paulista criado à base de tubaína, eu sou fã de Jesus. Tanto do farmacêutico quanto do guaraná.


Post genial!
Então, se parece Tubaína é bom… Lembro de ficar tomando Tubaína na saída da escola, naquelas garrafas de cerveja (que a gente tirava o rótulo para fazer média) e aqueles copos de alumínio…
Ai ai… Bons tempos…
“Nós somos mais famosos que Jesus Cristo.”
(João Lennon Sampaio, diretor comercial da Jesus Beverage, Inc.)
De fato, reconheçamos que, em função da venda regionalizada, o guaraná Jesus poderia ser classificado como tubaína. Contudo, ao analisarmos as vendas nos supermercados (estatística não disponibilizada pela Coca-cola – por que será que não disponibilizam, heim?) onde para cada 1 Coca saem 2 Jesus, fica pejorativo chamá-la de tubaína. O refrigerante realmente é muito doce, tem gosto estranho (canela e cravo) que pode causar repulsa para os não habituados mas é um fenômeno de vendas e, dentro desse aspecto, é pouco conveniente considerá-la uma tubaína.