Eu pretendia escrever sobre Sun Ra, o mítico músico que veio de Saturno. Mas tudo o que havia para ser dito sobre ele foi escrito neste post.
Nada tendo a acrescentar ao texto, descrevo a noite em que a Arkestra tocou em São Paulo, há uns 2 ou 3 anos, no antigo Palace (aquela casa de shows que tem a foto de Caetano Veloso na entrada do banheiro e que troca de nome praticamente todos os anos). Era a última edição do Chivas Jazz.
Na entrada, sofisticados fãs de jazz se preparavam para uma noite de deleite musical. Pela primeira vez entrei no Palace sem ser revistado (costumava assistir a shows de metal lá). Após um ou 2 artistas, amplamente aplaudidos com os costumeiros e irritantes “uhuuuuuuu”, eis que adentra o palco uma estranha combinação de sexagenários negros afro-americanos envergando vestes egípcias reluzentes. Conduzindo está Marshall Allen.
Aos primeiros acordes, começa a seleção natural, ou melhor, a seleção musical. Aquele público sofisticado, bebedor de Chivas, começa a se levantar e deixar o recinto. Observamos divertidos a limpeza da platéia (quem está gritando uhuuuuuuu agora?), cada casal que se levanta, empertigado, e passa em direção à saída é um momento que já paga o ingresso. Só os fiéis permaneceram. Depois disso, foi só curtir.
Sun Ra retornou a Saturno em 1993, ano ingrato que também ceifou Tião Carreiro.
Termino o post deixando um momento de Sun Ra ao teclado, sua especialidade:
Pingback: Dez álbuns favoritos | Blog do Ronaldo
Pingback: True Metal Warriors - Os verdadeiros fãs do verdadeiro metal | Blog do Ronaldo
Pingback: Peter Brötzmann e Ivo Perelman no SESC | Blog do Ronaldo