Adeus a Jacarepaguá

Escrevo este texto como homenagem ao autódromo de Jacarepaguá.

Ferido gravemente em 2007, hoje teve sua morte decretada com a escolha do Rio para as Olimpíadas de 2016. Vai ser destruído para dar lugar às instalações dos jogos.

Jacarepaguá mutilado
O autódromo, já mutilado.

Fui lá em 1997, assistir à antiga Fórmula Indy.

Era minha primeira vez na cidade. Bonita, mas não achei isso tudo que cantam. Não tenho essa “brasilidade sambística” na veia. Sete anos depois, voltaria à cidade para conhecer Damião Experiença. Aí sim, descobri o grande mérito do Rio de Janeiro: ter acolhido Daminhão.

Foi também minha primeira viagem de avião: era um Fokker 100 da TAM. Comecei mal.

Gostei bastante do autódromo. Sendo plano, proporcionava visão ampla. A corrida da Indy era no circuito oval – um trapézio, para ser exato – com visão total da volta. Sem falar no cenário em si. A “quebrada de responsa” que circunda Interlagos nem de longe se compara aos arredores de Jacarepaguá.

Fora isso, havia o choque de ver toda a operação dos boxes de forma aberta, sem aquele aparato dos boxes da F-1 que limita a visão do público. A Indy, como se sabe, sempre foi mais aberta, festiva, informal. Exatamente o oposto dos afetados europeus da F-1, que conseguiram transformar a categoria no supra-sumo da frescura, arrogância, custos proibitivos, pelegos freando na reta final e novos pelegos se jogando no muro.

A corrida foi vencida pelo canadense Greg Moore, que, anos depois, morreria em um acidente cinematográfico. Na pista, que é como pilotos devem morrer.

Já um autódromo não deveria morrer nunca. Mas é preciso dar espaço à vitória pessoal do Grande Líder. Nem que isso custe 25 bilhões.

Que Jacarepaguá descanse em paz. E que seus assassinos sejam amaldiçoados por 63 gerações.

Jacarepaguá
Pista boa, belo cenário.

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